If— in Portuguese
- Se, by Dascomb Barddal
- Se, by Féliz Bermudes
- Se, by Alcantara Machado
- Se, by Guilherme de Almeida
- Se..., anonymous
Se
- Se você puder manter a calma, quando
- todos à sua volta já a perderam, culpando-o por isso;
- Se você puder confiar em si, quando todos duvidam de você,
- mas puder também levar em consideração as dúvidas deles;
- Se você souber esperar e não se cansar de esperar,
- ou ao ser enganado, não recorrer à infâmia,
- ou ao ser odiado, não der espaço para a raiva,
- e não queira, nunca, nem parecer muito bom, nem muito sábio;
- Se você puder sonhar—e não fazer dos sonhos o seu senhor;
- Se você puder pensar—e não fazer de seus pensamentos a sua meta;
- Se você puder confrontar-se com o triunfo e com a derrota
- e tratar estes dois impostores da mesma maneira;
- Se você puder ouvir o que você falou ser distorcido
- em armadilha para apanhar os ingênuos,
- ou ver destruídas as coisas pelas quais você deu a sua vida,
- juntar os pedaços, e reconstruí-las com base nos mesmos princípios;
- Se você puder juntar todas as suas vitórias
- e colocá-las todas em risco num tudo ou nada,
- e perder, e iniciar tudo outra vez, desde o começo
- e nunca deixar escapar uma só palavra sobre suas perdas;
- Se você puder forçar seu coração, seus nervos e seus músculos,
- para recomeçar tudo depois deles se terem esgotado,
- e ainda agüentar mesmo quando não há mais nada em você
- exceto o desejo para dizer para eles: “Agüentem!”
- Se você puder conviver com o povo sem perder suas virtudes,
- ou conviver com os reis sem perder sua simplicidade;
- Se nem os desafetos e nem seus melhores amigos puderem machucá-lo,
- Se muitos contam com você, mas nenhum depende só de você;
- Se você puder preencher o valor do inclemente minuto perdido
- com os sessenta segundos ganhos numa longa corrida,
- sua será a Terra, junto com tudo que nela existe,
- e—mais importante—você será um Homem, meu filho!
Se
- Se podes conservar o teu bom senso e a calma
- No mundo a delirar para quem o louco és tu...
- Se podes crer em ti com toda a força de alma
- Quando ninguém te crê... Se vais faminto e nu,
-
- Trilhando sem revolta um rumo solitário...
- Se à torva intolerância, à negra incompreensão,
- Tu podes responder subindo o teu calvário
- Com lágrimas de amor e bênçãos de perdão...
-
- Se podes dizer bem de quem te calunia...
- Se dás ternura em troca aos que te dão rancor
- (Mas sem a afectação de um santo que oficia
- Nem pretensões de sábio a dar lições de amor)...
-
- Se podes esperar sem fatigar a esperança...
- Sonhar, mas conservar-te acima do teu sonho...
- Fazer do pensamento um arco de aliança,
- Entre o clarão do inferno e a luz do céu risonho...
-
- Se podes encarar com indiferença igual
- O triunfo e a derrota, eternos impostores...
- Se podes ver o bem oculto em todo o mal
- E resignar sorrindo o amor dos teus amores...
-
- Se podes resistir à raiva e à vergonha
- De ver envenenar as frases que disseste
- E que um velhaco emprega eivadas de peçonha
- Com falsas intenções que tu jamais lhes deste...
-
- Se podes ver por terra as obras que fizeste,
- Vaiadas por malsins, desorientando o povo,
- E sem dizeres palavra, e sem um termo agreste,
- Voltares ao princípio a construir de novo...
-
- Se puderes obrigar o coração e os músculos
- A renovar um esforço há muito vacilante,
- Quando no teu corpo, já afogado em crepúsculos,
- Só exista a vontade a comandar avante...
-
- Se vivendo entre o povo és virtuoso e nobre...
- Se vivendo entre os reis, conservas a humildade...
- Se inimigo ou amigo, o poderoso e o pobre
- São iguais para ti à luz da eternidade...
-
- Se quem conta contigo encontra mais que a conta...
- Se podes empregar os sessenta segundos
- Do minuto que passa em obra de tal monta
- Que o minute se espraie em séculos fecundos...
-
- Então, á ser sublime, o mundo inteiro é teu!
- Já dominaste os reis, os tempos, os espaços!...
- Mas, ainda para além, um novo sol rompeu,
- Abrindo o infinito ao rumo dos teus passos.
-
- Pairando numa esfera acima deste plano,
- Sem receares jamais que os erros te retomem,
- Quando já nada houver em ti que seja humano,
- Alegra-te, meu filho, então serás um homem!...
Se
- Se puderes guardar o sangue frio diante
- de quem fora de si te acusar, e, no instante
- em que duvidem de teu ânimo e firmeza,
- tu puderes ter fé na própria fortaleza,
- sem desprezar contudo a desconfiança alheia...
- Se tu puderes não odiar a quem te odeia,
- nem pagar com a calunia a quem te calunia,
- sem que tires daí motivos de ufania,
- sonhar, sem permitir que o sonho te domine,
- pensar, sem que em pensar tua ambição se confine,
- e esperar sempre e sempre, infatigavelmente...
- Se com o mesmo sereno olhar indiferente
- puderes encarar a Derrota e a Vitória,
- como embustes que são da fortuna ilusória,
- e estóico suportar que intrigas e mentiras
- deturpem a palavra honesta que profiras...
- Se puderes, ao ver em pedaços destruída
- pela sorte maldosa, a obra de tua vida,
- tomar de novo, a ferramenta desgastada
- e sem queixumes vãos, recomeçar do nada...
- e tendo loucamente arriscado e perdido
- tudo quanto era teu, num só lance atrevido,
- se puderes voltar à faina ingrata e dura,
- sem aludir jamais à sinistra aventura...
- Se tu puderes coração, músculos, nervos
- reduzir da vontade à condição de servos,
- que, embora exausto, lhe obedeçam ao comando...
- Se, andando a par dos reis e com os grandes lidando,
- puderes conservar a naturalidade,
- e no meio da turba a personalidade,
- impávido afrontar adulações, engodos,
- opressões, merecer a confiança de todos,
- sem que possa contar, todavia, contigo
- incondicionalmente o teu melhor amigo...
- Se de cada minuto os sessenta segundos
- tu puderes tornar com teu suor fecundos...
- a Terra será tua, e os bens que se não somem,
- e, o que é melhor, meu filho, então serás um Homem!
Se
- Se és capaz de manter tua calma, quando,
- todo mundo ao redor já a perdeu e te culpa.
- De crer em ti quando estão todos duvidando,
- e para esses no entanto achar uma desculpa.
-
- Se és capaz de esperar sem te desesperares,
- ou, enganado, não mentir ao mentiroso,
- Ou, sendo odiado, sempre ao ódio te esquivares,
- e não parecer bom demais, nem pretensioso.
-
- Se és capaz de pensar—sem que a isso só te atires,
- de sonhar—sem fazer dos sonhos teus senhores.
- Se, encontrando a Desgraça e o Triunfo, conseguires,
- tratar da mesma forma a esses dois impostores.
-
- Se és capaz de sofrer a dor de ver mudadas,
- em armadilhas as verdades que disseste
- E as coisas, por que deste a vida estraçalhadas,
- e refazê-las com o bem pouco que te reste.
-
- Se és capaz de arriscar numa única parada,
- tudo quanto ganhaste em toda a tua vida.
- E perder e, ao perder, sem nunca dizer nada,
- resignado, tornar ao ponto de partida.
-
- De forçar coração, nervos, músculos, tudo,
- a dar seja o que for que neles ainda existe.
- E a persistir assim quando, exausto, contudo,
- resta a vontade em ti, que ainda te ordena: Persiste!
-
- Se és capaz de, entre a plebe, não te corromperes,
- e, entre Reis, não perder a naturalidade.
- E de amigos, quer bons, quer maus, te defenderes,
- se a todos podes ser de alguma utilidade.
-
- Se és capaz de dar, segundo por segundo,
- ao minuto fatal todo valor e brilho.
- Tua é a Terra com tudo o que existe no mundo,
- e—o que ainda é muito mais—és um Homem, meu filho!
Se...
- Se você pode manter a calma quando todos
- próximos a você já a perderam e o culpam por isso,
- Se pode confiar em si mesmo, quando todos
- suspeitam de você, mas acolhe as dúvidas dele também,
- Se você pode esperar e não sentir-se cansado com a espera,
- Ou não mentir ao que mente,
- Ou sendo odiado, não odiar,
- E ainda não pode parecer tão bom, nem tão sábio:
-
- Se você pode sonhar e não fazer dos sonhos seu senhor,
- Se você pode pensar e não fazer dos pensamentos seu alvo,
- Se você pode encarar o triunfo e o infortúnio
- e tratar esses dois impostores da mesma forma;
- Se você pode suportar ouvir a verdade que falou
- destorcida por canalhas que preparam armadilhas para tolos,
-
- Ou ver as coisas pelas quais você deu a vida, destruídas,
- E resignar-se e reconstruí-las, com as ferramentas desgastadas:
- Se você pode arriscar tudo o que tem,
- E perder, e começar de novo,
- E nunca sussurrar uma só palavra sobre suas perdas;
- Se você pode forçar seu coração, músculos e nervos
- Quando já não sobram mais forças,
- E quando nada mais restar além da vontade que diz: “Resista!”
-
- Se você pode falar as multidões e manter sua virtude,
- Ou caminhar com reis e nem envaidecer,
- Se nem inimigos nem amigos queridos podem feri-lo;
- Se todos contam com você, mas nem tanto,
- Se você pode preencher o imperdoável minuto
- com a dignidade dos sessenta segundos corridos
- Sua é a Terra e tudo o que nela há,
- E mais que isso—você será um Homem, meu filho!
Anonymous Portuguese translation (minus two lines).
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